As negociações entre governantes e sindicatos são reuniões tradicionalmente tensas, desconfiadas e tiranossáuricas.

De um lado, temos quem dirige o ministério e seus assessores, amiúde tenrinhos, incluindo governantes; do outro, quem gere o sindicato, mui experientes nestas lides, algumas, infelizmente para o país, desatualizadas e sem capacidade de visão e liderança do mundo do trabalho e dos trabalhadores, situação evidenciada, aliás, pela queda contínua do número de pessoas sindicalizadas, com raras exceções, especialmente entre os mais jovens.

As reuniões entre governo e sindicatos são, porém, importantíssimas, e não servem apenas para medir a força e a determinação do que dizem e defendem, de parte a parte, relativamente às matérias visadas. Elas são, ou deveriam ser, um momento único de os governantes mostrarem a liderança e a visão para a área governativa que tanto os trabalhadores e o país precisam, e de demonstração de exigências e compromissos de parte a parte. É isto que acontece? A lógica prevalecente nestas reuniões é, habitualmente, uma lógica formalista, tática ou calculista e operacional. As questões mais importantes raramente são discutidas ou então perdem-se em situações comezinhas e triviais. Por exemplo, o aumento dos salários é uma reivindicação justa, legítima e mais do que merecida pelos trabalhadores. Mas será que esta medida deve ser feita sem refletir e comprometer ambas as partes por um caminho sustentado e vencedor? Por exemplo, o caminho da formação, da aprendizagem ao longo da vida, da motivação, da produtividade. O facto de não se discutirem questões importantes e baseadas em evidências, leva a uma maior cristalização e crispação das partes.

Não são só a liderança e visão e as políticas baseadas em evidência que são cruciais para uma boa governação, é essencial uma boa comunicação entre as partes e das partes para o país. Todavia, esta não existes e não pressupor as outras duas. A boa comunicação envolve que os destinatários recebam a mensagem de forma compreensiva e escrutinável, percebendo-se o “porquê” e o “para quê” das políticas e medidas, i.e., que a razão e visão sejam percebidas e satisfaçam as exigências de uma governação humanista, equitativa e responsiva.

Ainda além destas, temos as competências da prudência (não estática), paciência (não reativa), humildade e empatia que são absolutamente essenciais em qualquer condução governativa e gestionária, particularmente em contexto de negociação. Infelizmente, não é incomum ver governantes, e contrapartes, autoritários e arrogantes, ou fingindo não o ser, comportamentos que constituem elevados custos de contexto e de produtividade para o país, pois, em nada ajuda ao bom sucesso e resultado estes comportamentos defensivos, inseguros e autocentrados. Deveria sempre ser recordado aos que exercem funções políticas e públicas de que o poder do qual dispõem não é de quem o usa, antes de quem ele é destinatário, e que essa faculdade de determinar os comportamentos de outrem não serve o seu cargo, serve, sobretudo, para que os governantes possam defender e fazer cumprir o interesse público e assim defender o país e os portugueses de condutas abusivas, privadas e públicas, e fazer progredir a vida e riqueza dos titulares desse poder, o povo como sociedade da nação.

Não são só a liderança e visão e as políticas baseadas em evidência que são cruciais para uma boa governação, é essencial uma boa comunicação entre as partes e das partes para o país. Todavia, esta não existes e não pressupor as outras duas. A boa comunicação envolve que os destinatários recebam a mensagem de forma compreensiva e escrutinável, percebendo-se o “porquê” e o “para quê” das políticas e medidas, i.e., que a razão e visão sejam percebidas e satisfaçam as exigências de uma governação humanista, equitativa e responsiva.

Ainda além destas, temos as competências da prudência (não estática), paciência (não reativa), humildade e empatia que são absolutamente essenciais em qualquer condução governativa e gestionária, particularmente em contexto de negociação. Infelizmente, não é incomum ver governantes, e contrapartes, autoritários e arrogantes, ou fingindo não o ser, comportamentos que constituem elevados custos de contexto e de produtividade para o país, pois, em nada ajuda ao bom sucesso e resultado estes comportamentos defensivos, inseguros e autocentrados. Deveria sempre ser recordado aos que exercem funções políticas e públicas de que o poder do qual dispõem não é de quem o usa, antes de quem ele é destinatário, e que essa faculdade de determinar os comportamentos de outrem não serve o seu cargo, serve, sobretudo, para que os governantes possam defender e fazer cumprir o interesse público e assim defender o país e os portugueses de condutas abusivas, privadas e públicas, e fazer progredir a vida e riqueza dos titulares desse poder, o povo como sociedade da nação.

Governar e gerir são, portanto, ações interativas de negociação contínua, cujo sucesso ou resultado transformativo é tanto maior quanto mais forte e subjacente for a visão e crença da política e das respetivas medidas.

Além disso, em democracia, a participação dos atores nos processos de decisão política e pública não é uma benesse ou privilégio dado por quem detém o poder, independentemente de os demais defenderem interesses coletivos ou privados.

A participação é um direito e um dever extensível a todos, governantes e governados, grupos e cidadãos, que deve ser cultivada pelo poder governamental, e não ter receio dessa abertura e transparência. Dentro do bom senso e das regras, se existentes, nunca se perde tempo com alguém a quem devemos prestar contas, há sempre algo que se pode aprender e melhorar, mesmo na participação mais simples e adversa. Especialmente, nestas.

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